Editorial
Muito tem sido discutido sobre o papel das redes sociais – em especial, Twitter e Facebook – nos levantes recentes no Oriente Médio e norte da África, onde velhas hierarquias de poder parecem ter sucumbido diante da multidão mobilizada, conectada e capaz de fazer repercutir mundo afora seu desejo e sua ação por liberdade. Sem dúvida, as ferramentas de redes sociais têm sido utilizadas como elemento de resistência e de confronto a antigas hierarquias autoritárias.
Entretanto, é imprescindível uma visão crítica sobre o uso destes espaços de interação online como aliados da resistência, enquanto as mesmas estratégias e práticas que defendem a autonomia e a liberdade também alimentam a concentração de poder nas mãos de grandes corporações, com suas práticas de coleta, processamento e armazenamento de dados pessoais, com o objetivo principal de promover mercados globalizados, fortalecer novos negócios privados e consolidar monopólios utilizando sobretudo informação alheia.