Graciela Selaimen
Um usuário da rede social Facebook –
que hoje reúne mais de 250 milhões
de usuários1 no mundo – passou
por momentos tensos, no mês
passado, ao entrar no sítio Web da
rede e encontrar a foto de sua mulher
publicada num anúncio que dizia:
“Ei, Peter, uma solteira sexy espera
por você". O anúncio era de um
serviço que promovia encontros –
não exclusivamente virtuais -, e
Peter levou mais um susto ao procurar
explicações sobre como a foto
de sua mulher tinha ido parar ali2.
O fato é que ela havia autorizado o
uso da foto – e o mais incrível é que eu
mesma e provavelmente você, leitor ou
leitora (se for usuário/a do Facebook)
também corremos o mesmo risco de
ter nossas fotos ilustrando um anúncio
sabe-se lá de que, no sítio dessa rede
social, com nossa autorização.
Um dos problemas que leva a
este tipo de situação está naquelas
páginas chatas de ler, cujo conteúdo
a maioria dos usuários ignora,
marcando automaticamente uma
caixinha que diz “cadastre-se":
são os Termos de Uso e a Política
de Privacidade, espaços onde o
Facebook oferece explicações
sobre o que pode e o que não
pode fazer com seus dados pessoais.
A vontade de criar logo uma conta
na rede social e encontrar os amigos,
conhecidos, contatos de amigos,
possíveis futuros contatos – e saber
o que eles andam fazendo e o que
estão pensando – faz a maioria de
nós, usuários desavisados, aceitar
os termos e a política do serviço
sem ler. Só que é justamente ali
que temos a primeira chance de
descobrir como evitar surpresas
desagradáveis no futuro, como a do Peter. O Facebook adota, para estas
e outras situações relacionadas à
privacidade dos membros da rede,
a chamada polí tica do "opt-out" na
qual o usuário, depois de cadastrado,
pode decidir alguns limites para
o usos de seus dados por parte do
Facebook e de seus associados. Isso
significa que a configuração padrão
da rede permite ampla divulgação –
além de outras possibilidades de uso
- dos dados que os usuários inserem
e compartilham em suas contas, ou
em seus “perfis". Para limitar esta
ampla possibilidade de uso de dados
pessoais, o usuário deve optar por
termos de uso que são exceções
à configuração padrão, o que se
chama de “opt-out". A alternativa
que seria mais recomendável, nesta
e em qualquer outra rede social,
seria uma política de privacidade
que vai justamente no sentido
oposto: a política “opt-in". Neste
caso, as configurações padrão
e a política de funcionamento
da rede seriam mais “amigáveis”
em relação à proteção da privacidade
do usuário, e as exceções seriam
aqueles casos em que o usuário
aceita e prefere ter seus dados
divulgados, compartilhados com
terceiros (geralmente, parceiros
comerciais da rede social) e
utilizados para diversos fins, com
autorização do próprio usuário...

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