PoliTics número 4
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Redes sociais: a quem pertence seu perfil?
Graciela Selaimen
Um usuário da rede social Facebook – que hoje reúne mais de 250 milhões de usuários1 no mundo – passou por momentos tensos, no mês passado, ao entrar no sítio Web da rede e encontrar a foto de sua mulher publicada num anúncio que dizia: “Ei, Peter, uma solteira sexy espera por você". O anúncio era de um serviço que promovia encontros – não exclusivamente virtuais -, e Peter levou mais um susto ao procurar explicações sobre como a foto de sua mulher tinha ido parar ali2. O fato é que ela havia autorizado o uso da foto – e o mais incrível é que eu mesma e provavelmente você, leitor ou leitora (se for usuário/a do Facebook) também corremos o mesmo risco de ter nossas fotos ilustrando um anúncio sabe-se lá de que, no sítio dessa rede social, com nossa autorização.

Um dos problemas que leva a este tipo de situação está naquelas páginas chatas de ler, cujo conteúdo a maioria dos usuários ignora, marcando automaticamente uma caixinha que diz “cadastre-se": são os Termos de Uso e a Política de Privacidade, espaços onde o Facebook oferece explicações sobre o que pode e o que não pode fazer com seus dados pessoais. A vontade de criar logo uma conta na rede social e encontrar os amigos, conhecidos, contatos de amigos, possíveis futuros contatos – e saber o que eles andam fazendo e o que estão pensando – faz a maioria de nós, usuários desavisados, aceitar os termos e a política do serviço sem ler. Só que é justamente ali que temos a primeira chance de descobrir como evitar surpresas desagradáveis no futuro, como a do Peter. O Facebook adota, para estas e outras situações relacionadas à privacidade dos membros da rede, a chamada polí tica do "opt-out" na qual o usuário, depois de cadastrado, pode decidir alguns limites para o usos de seus dados por parte do Facebook e de seus associados. Isso significa que a configuração padrão da rede permite ampla divulgação – além de outras possibilidades de uso - dos dados que os usuários inserem e compartilham em suas contas, ou em seus “perfis". Para limitar esta ampla possibilidade de uso de dados pessoais, o usuário deve optar por termos de uso que são exceções à configuração padrão, o que se chama de “opt-out". A alternativa que seria mais recomendável, nesta e em qualquer outra rede social, seria uma política de privacidade que vai justamente no sentido oposto: a política “opt-in". Neste caso, as configurações padrão e a política de funcionamento da rede seriam mais “amigáveis” em relação à proteção da privacidade do usuário, e as exceções seriam aqueles casos em que o usuário aceita e prefere ter seus dados divulgados, compartilhados com terceiros (geralmente, parceiros comerciais da rede social) e utilizados para diversos fins, com autorização do próprio usuário...



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