PoliTics número 4
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Eu registro, você filma, ele vai preso...
Carlos A. Afonso / Demi Getschko
Um de nós acaba de receber em casa um suposto boleto a pagar, enviado por um banco. O destinatário não tem conta nesse banco, e trata-se de um boleto de um certo “fundo de capitalização”. Averiguação detalhada mostra que é mesmo do tal banco e no boleto consta o nome completo da pessoa e o seu CPF, bem como o endereço exato e o valor a pagar de R$20. Uma forma malandra de buscar aderentes ao seu “plano de capitalização” (capitalização dele, banco, é claro). Como é um boleto bancário, basta que um de nós dois (autores deste texto) seja um pouco mais distraído (o que não é difícil), para simplesmente pagar primeiro e depois perceber do que se trata a “cobrança” – afinal, são só R$20. Mas a pergunta que nos interessa agora é: como o banco obteve esses dados?

No universo do crédito e das contas bancárias, nossa privacidade já está violada – as operadoras de cartões de crédito pesquisam os dados de seus clientes para canalizar propaganda ou gerar listas de risco1, e revendem ou repassam essas informações a outras empresas (como a Experian/Serasa e outras de análise de risco ou “marketing”). Nestes casos, há uma justificativa para as empresas solicitarem informações pessoais: trata-se de um contrato de serviços envolvendo crédito e ambos os lados têm o direito de saber com quem estão lidando. Não se justifica, de nenhum modo, no entanto, a violação de confidencialidade dessas informações para proveito próprio (de bancos e operadoras de cartões) ou de terceiros...



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