Ariel G. Foina
Em 1785 Jeremy Bentham concebeu
uma estrutura arquitetônica voltada
para a edificação de penitenciárias
com fins a reduzir os custos
do controle dos prisioneiros,
denominada panóptico. Nesta nova
forma de prédio, havia um centro
de onde os detentos poderiam ser
vigiados de tal forma que eles mesmos
não pudessem ver quem os vigiava
(ou saber se quem deveria vigiálos
estava efetivamente lá). Jeremy
Bentham não era arquiteto, era um
filósofo utilitarista e seu trabalho
decorria de uma reflexão sobre a
eficiência do controle. O sucesso do
panóptico provinha do fato de que ali,
naquele modelo, havia um controle
simbólico imposto 24 horas por dia
– afinal, pelo fato de os detentos não
conseguirem ver quem os vigiava da modernidade1 para a “sociedade
pós-moderna"2, o pesadelo de
Foucault tornou-se o sonho do
consumidor médio de bens de
entretenimento, viabilizando-se os
assim denominados “reality shows”.
Não é incomum encontrar
indivíduos, nos dias de hoje,
dispostos a expor sua privacidade
cotidiana, a colocar-se em
verdadeiros aquários humanos
integralmente vigiados - os reality
shows no estilo “Big Brother”,
em troca de uma chance de obter
alguma quantia em dinheiro.
Mesmo que o prêmio financeiro
não seja conquistado, a participação
nestes espetáculos é, inegavelmente,
associada à possibilidade da “fama”
e à consequente exposição pública
deste indivíduo, mesmo após o
fim do reality show – um processo
que redunda numa sucessiva e
crescente renúncia à privacidade
e à intimidade...

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